Resenha: Saga Instrumentos Mortais – Cassandra Clare

Resenha: Saga Instrumentos Mortais - Cassandra Clare

“O menino nunca mais chorou e nunca mais se esqueceu do que aprendeu: que amar é destruir e que ser amado é ser destruído.”

Os Instrumentos Mortais é uma série de livros de fantasia que conta a história de Clary Fray, uma adolescente aparentemente normal que ao completar 16 anos descobre ser filha de caçadores de sombras. Mas o que seriam caçadores de sombras? Seres sobrenaturais: metade humanos, metade anjos que teriam como função proteger o planeta de demônios.

Apesar da parte surrealista, a história também possui um enredo que poderíamos aplicar ao nosso dia a dia, como o melhor amigo de Clary, Simon, que é apaixonado por ela, porém nunca se declarou, e sua paixão não é correspondida. Os conflitos de relacionamento da família Lightwood, e a questão da sexualidade, não assumida, de Alec e seu amor platônico por Jace Wayland.

Em meio há tantos dramas, surge um romance avassalador, o de Clary e Jace, um caçador de sombras experiente que perdeu os pais e mora com os Lightwood no Instituto para caçadores. Jace não é o típico galã adolescente, apesar de seu físico perfeito, seu temperamento é esquentado, e muitas vezes, passa por prepotente e egocêntrico. Enquanto isso, Clary é uma menina doce e meiga, que durante o desenrolar da trama mostra-se uma heroína tradicional das personagens de Jane Austen, personalidade forte e coragem são suas marcas registradas.

A saga possui 5 livros: Cidade dos Ossos, Cidade das Cinzas, Cidade de Vidro, Cidade dos Anjos Caídos (meu preferido até o momento) e Cidade do Fogo Celestial, este último previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2014 nos EUA. Cada livro trabalha uma temática central, porém todos têm em comum valores e estereótipos da sociedade a serem questionados, mesmo que de forma subentendida, é preciso sensibilidade para reconhecer nas entrelinhas as críticas sociais implantadas em personagens como vampiros, lobisomens, fadas, magos, caçadores de sombras e até mesmo os poucos seres humanos presentes nas história. A narração é em terceira pessoa, o que dá ao leitor uma ampla visão dos acontecimentos.

Cassandra soube retratar o universo da fantasia como nenhuma autora antes, misturou diferentes mitologias de uma forma simples e sem muitas enrolações e desvios das correspondentes tradições. Além disso, a adaptação cinematográfica ficou excelente, os atores foram muito bem selecionados e a fotografia ficou impecável, pra quem não gosta de ler, o filme é uma ótima recomendação, mas se eu fosse você, deixaria me cativar por esses caçadores, vai que você não tem vontade de sair por aí desenhando “Marcas”, ops, acho que já estou dando spoiler. Boa leitura!

(Carolina Michels)

 

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Crítica: Cadillac Records

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O filme acontece entre as décadas de 1940 e 60, nos Estados Unidos, onde a segregação racial era extremamente forte e ainda, constitucional. Foi baseada na história da gravadora Chess Records que apresentou grandes artistas do Blues que, por causa do preconceito da época, não tinham o reconhecimento merecido. Ao mesmo tempo que dá uma aula suave de história da sociedade norte-americana, o filme mostra a evolução da música negra e portanto, a aceitação dos negros. Explicita as dificuldades do momento, as restrições raciais, as luxúrias do mundo musical e as trapaças que nele exitem. Mesmo tendo bastante música e sendo SOBRE essa arte, não o considero um musical já que não tem cenas que começam com falas e tais falas se tornam músicas. Pode parecer uma diferenciação boba, mas o fato de uma discussão acabar com uma música não agrada algumas pessoas.

(Jessica Almeida)

Resenha: Álbum Sim – Sandy

Resenha: Álbum Sim - Sandy

Resenha: Sim – Sandy

Em seu segundo álbum solo, Sandy aparece mais madura e com influências pops mais fortes que antes. Desde canções mais melancólicas como “Morada” até as mais divertidas como “Ponto Final”, a cantora se consagra não só com a sua voz, mas também com o seu talento de compositora.

O disco abre com a autobiográfica “Aquela dos 30”, com melodia simpática e forte presença do piano (marca registrada da artista), particularmente, é a canção que menos gosto, apesar de ter sido escolhida como o primeira música de trabalho. A letra é boa, a voz dela está impecável, como sempre, e a harmonia é alegre, mas não sei, para mim, falta algo.

A Segunda canção do disco, e de trabalho, é “Escolho Você”, e a letra se encaixa com os romances adolescentes. No refrão ela diz “Eu escolho você com todos os seus defeitos e esse jeito torto de ser.” Apesar de estar no auge de seus 30 anos, a artista revela que seu lado menina apaixonada ainda está presente. É uma música gostosa.

Logo em seguida temos a minha canção preferida, “Morada” que fala sobre um amor que não se pode interromper pois já se está envolvido demais, e inaugura também a parceria de composição da cantora com a escritora Tati Bernardi. Em um dos versos, ela diz ” Como cortar pela raiz se já deu flor?” A melodia é suave e o violino ao fundo dá um caráter inovador à harmonia.

“Segredo” é a baladinha do álbum e “Ponto Final” possui a pegada mais pop e fala sobre um relacionamento com um cara que só pensa no aspecto físico e não tem nada na cabeça, Sandy até brincou falando que combinava bem com o “Rei do Camarote”, a música também é uma parceria com a escritora Tati Bernardi.

Depois temos “Refúgio” e”Olhos Meus”, talvez as canções mais melancólicas do disco. Trazem uma pegada mais triste, mas como a própria cantora já disse, ela vê uma beleza triste nas coisas, e quem não vê uma beleza nessas letras e melodias? Sandy soube conduzir com maestria o sentimento pesado sem soar depressivo.

“Ninguém É Perfeito” é uma declaração de amor na qual a cantora diz “Ninguém é perfeito, e você é a exceção que confirma a regra.” Assim, a música tem um ritmo mais animado, e melodia mais leve, encaixando muito bem na proposta do álbum. “

Sim” é a música que dá nome ao disco, e portanto, a principal. A artista afirma uma positividade incrível ao afirmar “E eu vi que eu podia mais do que eu sabia, eu vi a vida se abrir pra mim quando eu disse sim.” Mais uma canção autobiográfica, leve e profunda e ao mesmo tempo envolvente. Uma das minhas preferidas do disco.

“Saudade”, a canção que fecha o álbum, é a única não autoral, composta pelo professor de piano da cantora, é mais puxada para um lado clássico, MPB, com uma letra lindíssima e vocal impecável.

“Sim” é o melhor álbum da carreira de Sandy, mostrando não só seu talento como compositora, mas seus vocal inquestionável, espero que ela seja reconhecida por isso, nota 10 para este, e todo o sucesso do mundo para a cantora.

(Carolina Michels)

 

Resenha: Teorema Katherine – John Green

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A vontade de se tornar importante muitas vezes domina as pessoas, assim como o amor. Em O Teorema Katherine, Colin, um menino prodígio e romântico, descobre-se após mais um término. Seu jeito apegado pode tanto encantar muitas pessoas quanto cansá-las, dependendo apenas do gosto pessoal do leitor. O livro entrega confissões de um menino inteligentíssimo que busca algo para torná-lo importante, ao mesmo tempo que narra suas relações e decepções amorosas. John Green consegue trazer as dificuldades do garoto como se fossem dele próprio.

A história nos dá observações surpreendentemente interessantes sobre assuntos aleatórios, pois como você vai descobrir durante a narrativa o raciocínio do nosso personagem principal é um tanto quanto exótico. A inteligência de Colin é tão invejável (pelo menos por mim) quanto a sua teimosia em Katherine’s é grande (e “grande” não consegue traduzir o nível em que ele se encontra). Depois de ler, você pode acabar tentando fazer anagramas sem perceber (e, no meu caso, falhando miseravelmente).

Para mim, o livro traz uma mensagem de que nem tudo é do jeito que queremos mas sempre do modo que precisamos que seja. Os erros, decepções, sucessos e momentos de felicidade nos levam exatamente para onde necessitamos ir, seja para nos descobrirmos, seja para acrescentar a quem somos. Além disso, ele mostra que a inteligência e uma grande descoberta não são as únicas fontes de importância. 

(Jessica Almeida).

 

Resenha: A Culpa É Das Estrelas – John Green

Resenha: A Culpa É Das Estrelas - John Green

“Mas eu acredito em amor verdadeiro, sabe? Não acho que todo mundo possa continuar tendo dois olhos nem que possa evitar ficar doente, e tal, mas todo mundo deveria ter um amor verdadeiro, que deveria durar pelo menos até o fim da vida da pessoa.”

A Culpa É Das Estrelas é um livro do americano John Green que conta a história de Hazel Grace, uma adolescente que sobrevive com câncer no pulmão há alguns anos. Diferente do que algumas pessoas possam pensar, o livro não é depressivo, nem mórbido, a personagem vive normalmente (apesar de ter abandonado a escola) e frequenta o grupo de adolescentes que também possuem a doença. Lá ela conhece Augustus Waters, um menino que foi curado do câncer após ter a perna amputada, e os dois se apaixonam, começando assim uma linda história de amor. Hazel tem um livro preferido, que acaba de uma forma um tanto quanto peculiar, e o “objetivo” de sua vida é descobrir o que acontece com os personagens, assim, depois de apresentá-lo a Augustus, os dois vão em busca dessas informações e vivem momentos inusitados.

O livro é cheio de surpresas, é inspirador e faz qualquer um ter vontade de viver. Acredito que essa seja a real mensagem dele: viva intensamente todos os momentos de sua vida, porque eles não voltam mais. John Green consegue expressar um amor adolescente de uma forma inovadora, sem melodramas ou crises existenciais, trazendo uma narrativa leve e ao mesmo tempo profunda. O tipo de livro que toca você na alma e dá vontade de ler de novo, de novo e de novo. Confesso que quando estava chegando perto do final, enrolei pois não queria que acabasse. Virou meu xodó e tem um lugar especial na minha estante. Espero ansiosamente para o lançamento do filme inspirado no livro. Super recomendo a leitura!

(Carolina Michels)

 

Resenha: O Palácio de Inverno – John Boyne

Resenha: O Palácio de Inverno - John Boyne

“Nós dois havíamos aperfeiçoado a arte de ficar sentados juntos em silêncio, por horas a fio, mas nunca esgotávamos o que tínhamos a dizer.”

O Palácio de Inverno, do irlandês John Boyne, conta a história de Geórgui Jachmenev, um jovem camponês russo que após realizar um ato heróico é designado a trabalhar no Palácio de Inverno, em São Petesburgo, como guarda-costas do filho mais novo do Czar Nicolau II, Alexei Romanov.

A narrativa é alinear, ou seja, cada capítulo se passa em uma época diferente para manter o mistério até a última página do livro. Os capítulos são intercalados entre a época em que Geórgui vivia no Palácio e depois, já mais velho quando se mudou para a Inglaterra após a Revolução Russa e a tomada dos Bolcheviques. Trabalhar como guarda-costas de um membro da família real, faz com que o camponês tenha contato com os demais Romanov, assim ele se apaixona pela grã-duquesa Anastácia (sim, a do filme da Disney), além de descobrir os grandes segredos de Rasputin, o padre mais famoso do reinado.

John Boyne garante grandes emoções nesse romance de tirar o fôlego, conduzindo o leitor numa narrativa excelente, que nos dois primeiros capítulos, confesso, pode ser um pouco cansativa, mas depois é fácil se deliciar e se apaixonar pela história e por seus personagens. Misturando ficção com fatos históricos, é uma história eletrizante, e eu me apaixonei pelo livro. Junto com A Culpa é Das Estrelas, é lugar certo na minha estante, e no meu coração. Um dos melhores livros que já li, se não o melhor. E graças ao mestre Boyne, pude gostar ainda mais da história da Rússia.

(Carolina Michels)